A Sinfonia

A Sinfonia Paulistana foi concluída em 1973, Billy Blanco trabalhou nela durante dez anos. Sua versão original orquestrada foi lançada em vinil pela Odeon em 1974. É composta por quinze movimentos, interpretados alternadamente por Elza Soares, Pery Ribeiro, Cláudia, Claudette Soares, Nadinho da Ilha, Miltinho, coro do Teatro Municipal de São Paulo e orquestra regida pelo maestro Chico de Moraes. Nela Billy Blanco conta musicalmente a história de São Paulo, de Anchieta até os dias de hoje.

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Letra: Sinfonia Paulistana

Paulistana – Retrato de uma Cidade”

Sinfonia de Billy Blanco

Arranjos originais de Chiquinho de Moraes

 

LOUVAÇÃO DE ANCHIETA

 

Fazendo som com as estrelas, ligado no sideral

Por Maria, fez poemas, nas praias do litoral

As ondas contaram ao mar, por isso é que os oceanos

No mundo inteiro cantados, cantarão mais cem mil anos

E o homem entre mar e céu, tem canção por todo lado

Louvado seja Anchieta, pra sempre seja louvado

Navegante tem cantiga, que aprendeu no mar um dia

Qualquer rota que ele siga, se não canta, ele assobia

 

BARTIRA

 

Cabelo cor da noite, pele de alvorada

Cacique entregou ao branco, a filha amada

Raízes de Brasil, chegaram até aqui

Abençoado o colo dessa mãe antiga

Por 400 anos feitos de cantiga, naquele doce embalo

Da canção Tupi

Na tez de uma paulista em cheiro de floresta

A cor de jambo é a índia, que ninguém contesta

De uma altivez que o Império nunca vira

É a tradição, é a raça, é a nossa origem

As coisas da história de São Paulo exigem

A honra que se faça ao nome de Bartira, Bartira

 

MONCÕES

 

Era tudo, era o nada rio acima

Que o paulista no peito ia vencer

Pra fazer mais Brasil do que existia

Já o tempo era pouco pra perder

Reunindo oração e despedida na partida da horda triunfal

Caçador da esmeralda perseguida

Foi fazendo a unidade nacional

Bandeiras, monções

Já se dava por glória ao que se ia

Porque mal se sabia se voltava

E a benção levada já servia

De unção para quem por lá ficava

Nas monções quem seguia, na verdade

Já partia cheirando à santidade

Quem não via esmeralda ou não morria

Povoava cidade mais cidade

Bandeiras, monções

 

TEMA DE SÃO PAULO

 

São Paulo que amanheceu trabalhando

São Paulo, que não sabe adormecer

Porque durante a noite, paulista vai pensando

Nas coisas que de dia vai fazer

São Paulo, todo frio quando amanhece

Correndo no seu tanto o que fazer

Na reza do paulista, trabalho é o Padre-Nosso

É a prece de quem luta e quer vencer

 

CAPITAL DO TEMPO

 

Bastante italiano, sírio e japonês

Além do africano, índio e português

Tudo isso ao alho e óleo, temperando a raça

Na capital do tempo, tempo é ouro e hora

Quem vive de espera, é juros de mora

Não tem mais-mais nem menos, ou é sim ou não

No máximo se espera pela condução

Nas retas da Rio-São Paulo, chegando, chegando eu vim

E vi o mundo aumentando, o Brasil passando por mim

Paulista é quem vem e fica plantando, família e chão

Fazendo a terra mais rica, dinheiro e calo na mão

 

O DINHEIRO

 

Dinheiro, mola do mundo, que põe a gente na tona

Que leva a gente ao fundo

Sim, senhor, sim, senhor, sim, senhor

Que faz a paz e a guerra, que trouxe a Lua pra Terra

No mais aumenta a barriga do comendador

Dinheiro, juras e juros, que ergue todos os muros

Pra ele próprio depois, derrubar, derrubar

É a voz que fala mais forte, razão de vida e de morte

Também só compra o que pode comprar

 

*COISAS DA NOITE

 

Casais entram no Catedral

O fino pra curtir um som

Do Beco ao TelecoTeco, amanhecem no TomTom

A noite é sempre uma criança, é só não deixar crescer

Assim existe esperança, no amanhecer

São coisas da noite, anúncios conhecidos

Que enfeitam a cidade, em movimentos coloridos

Alguém vem do trabalho, do baralho ou do que for

Do La Licorne ou CEASA, de alguma coisa do amor

Tem sempre mais um, que vem pela calçada

Na bruma que esconde quem sobrou na madrugada

Dei tempo ao tempo, o tempo é que não dá

Tenho que estar pelas sete, no Viaduto do Chá

Olha o Sol, olha o Sol, cadê o Sol? Onde o Sol?

Sumiu, sumiu, sumiu.

 

O CÉU DE SÃO PAULO

 

Quando amanhece, o Sol comparece por obrigação

Nublado, cansado, um Sol de rotina

Se bem ilumina, nem dão atenção

É que o bandeirante não perde o seu tempo

Olhando pro alto, o Sol verdadeiro está no asfalto

Na terra, no homem e na produção

A cor diferente do céu de São Paulo não é da garôa

É véu de fumaça, que passa, que voa

Na guerra paulista das mil chaminés

São Paulo, que amanhece trabalhando

 

AMANHECENDO

 

Começou um novo dia, já volta quem ia,

O tempo é de chegar

Do metrô chego primeiro, se tempo é dinheiro

Melhor, vou faturar

Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer

Vai o paulista na sua, para o que der e vier

A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição

Porque tudo se repete, são sete

E às sete explode em multidão:

Portas de aço levantam, todos parecem correr

Não correm de, correm para

Para São Paulo crescer

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora,

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora

Vambora

 

O TEMPO E A HORA

 

Que o tempo não espera, a vida é derradeira

Quem é vai ser, já era de qualquer maneira

O mundo é do “eu quero”

Quem me der é triste, tristeza basta a guerra

E o adeus no amor

Você onde é que estava quando o tempo andou?

Na terra que não pára, só você parou

 

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora,

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora

Vambora

 

Que vale é a versão, pouco interessa o fato

Porque a sensação maior é a do boato

Em coisa de um segundo, noite é madrugada

Notícia ganha o mundo, e a gente não é nada

Você onde é que estava quando o tempo andou?

São Paulo nunca pára, só você, parou

 

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora,

Vambora, vambora, olha a hora

Vambora, vambora

Vambora

 

São Paulo que amanheceu trabalhando

São Paulo, que não sabe adormecer

Porque durante a noite, paulista vai pensando

Nas coisas que de dia vai fazer

São Paulo, todo frio quando amanhece

Correndo no seu tanto o que fazer

Na reza do paulista, trabalho é o Padre-Nosso

É a prece de quem luta e quer vencer

 

VIVA O CAMELÔ

 

Na Praça do Patriarca, rua Direita, São Bento

Na Líbero Badaró, no Viaduto do Chá

Lá está aquele moço, que não dá ponto sem nó

Na conversa bem jogada, vai vendendo geladeira

Pra esquimó curtir verão

Papo firme é isso aí, desse dono da calçada

Rei da comunicação

Olhe aqui, dona Teresa, o produto de beleza

Que chegou da Argentina, examina, examina

De brinde pra seu marido

Nova pomada pra calo que resolve a dor de ouvido

Tem Parker 73, compre uma e ganhe seis

Nem paga o justo valor, mais outra ali pro doutor

Leve a Lei do Inquilinato, mesmo não sendo inquilino

Morar na lei é um barato, e ele prova à sua maneira

Que um ataque de besteira, faz de um doutor um otário

Cursando numa avenida o vestibular da vida

Para ser bom empresário

 

PRO ESPORTE

 

Ser do São Paulo, do Corinthians e Palmeiras

É ter o fino em futebol durante o ano

Em tênis, remo, natação, nas domingueiras

Bom é Pinheiros, Tietê ou Paulistano

Com Ademir, com Rivelino no gramado

Com rei Pelé, suas jogadas de veludo

Não é de graça que São Paulo é chamado

Melhor da América Latina em quase tudo

Pró-esporte, pró-esporte é a solução

Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição

Lá por setembro o estudante nos ensina

Aquele esporte pelo esporte que não cede

E o meu Mackenzie, dá um show com a Medicina

Na grande guerra que se chama MacMed

Em campeonato mundial estamos nessa

Com Éder Jofre e os Fittipaldi, é pra valer

Só em São Paulo que é a terra do depressa

A São Silvestre poderia acontecer

Pró-esporte, pró-esporte é a solução

Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição

 

SÃO PAULO JOVEM

 

São Paulo jovem, dos que promovem velocidade

Nos seus cavalos, de roda e ferro, na sua forma de liberdade

O peito agarra, a costa de aço

Que deu garupa na Yamaha, no upa-upa

Feito de abraço e muito amor

São Paulo jovem, na mesma cela

Vão ele e ela, por onde seja

Deus os proteja, pelos caminhos da vida em flor

 

RUA AUGUSTA

 

Tem coisas da Ipiranga, da Itapetininga, até da São João

Às vezes também dá

O chá, o show, o chops, uísque, boa pinga

E o molho das mulheres que transam por lá

Tem loja, tem butique, tem pizzaria

Boate, restaurante, até casa lotérica

É rua que de nada mais precisaria

Com todo aquele charme do Jardim América, América!

Rua Augusta

E agora, já é hora

E ninguém vai embora, embora de lá

Rua Augusta, e agora, já é hora

E ninguém vai embora, embora de lá

Bartira e João Ramalho nunca imaginaram

Que a tanga e a miçanga vinham outra vez

Agora nos diriam vendo que acertaram:

Valeu o nosso amor, pelo amor de vocês

A moça quando passa ninguém vê mais nada

Quando ela vai na dela, é pra machucar

É a paulistana boa, despreocupada

De short ou de **pullover, bota pra quebrar, pra quebrar

Rua augusta, e agora, já é hora

E ninguém vai embora, embora de lá

 

GRANDE SÃO PAULO

 

Na sinfonia, que é de todos os barulhos

De Santo Amaro, ao Brás, ao Centro, ao ABC

Por Santo André, Vila Maria até Guarulhos

Grande São Paulo, como eu gosto de você

São Paulo, que amanhece trabalhando

São Paulo que não pode amanhecer

Porque durante a noite, paulista vai pensando

Nas coisas que de dia vai fazer.

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8 respostas em “A Sinfonia

  1. Amo essas músicas.Onde posso adquirir a abra completa?Já andei procurando e não encontrei,

    • Eliane, obrigada pelo seu contato. Nós não produzimos o CD, o nosso projeto é de um dvd. Mas nós temos 2 CDs no nosso arquivo. Um chama “Paulistana de Billy Blanco” que é uma reedição de um LP mas eu acredito que não seja mais vendido, e o outro é um CD do Sesc chamado “Billy Blanco – A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes”, este ainda está sendo vendido mas o nosso foi um presente da TV Cultura, não sei te informar onde vc poderia comprar.

    • Eliane, procure por um CD do Sesc chamado “Billy Blanco – A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes”, acho que ainda está sendo vendido.

  2. “Projeto Nota 1000″… Tive a grata satisfação em minha adolescência de escutar O Velho Billy tocar e cantar a Paulistana pouco antes de ser gravada lá em Itajobi (cidade do interior de São Paulo onde esse fantástico e singular compositor passava o natal com sua Família, a esposa Ruth e seu filhos Bilinho e Paulinho, na casa de seus cunhados Matheus e Elza). Além da Paulistana, tantas outras músicas de sua autoria. Parabéns ao Projeto e a Billy Blanco. Saudade do Velho Billy.

  3. Eu encontrei esse CD, que tenho guardado com muito carinho, no centro de São Paulo, acredite, nas Grandes Galerias “Galeria do Rock”.
    Exatamente na loja “Baratos Afins”. É bom dar uma ligada antes para ver se tem, se não tiver e for possível o pessoal de lá encomenda.
    Abs a todos.

  4. Puxa! Que pena ter perdido o show!!! Não vi nenhuma divulgação… :-(((

    Vocês deveriam repetir o show. Quando é que o DVD será lançado?

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